Certa vez parei para ouvir uma criança, e com toda sua
inocência acabou confidenciando-me um sentimento. Estranho, até. Sentimento que a
tomava pela mão, sim, pela mão e mostrava a beleza de um céu nublado. Disse-me
que enquanto olhava as nuvens sem entender, o sentimento tentava mostrar o quão
bonito poderia ser aquele momento se ela conseguisse ver além das nuvens.
Mostrou-lhe as inúmeras constelações daquele céu nublado. Ela olhou, entendeu,
sorriu...
Enquanto
atenciosamente emprestava meu tempo àquela criança, quis olhar pro céu, e tão doce
quanto sonhar, pude entender que em algum lugar aquele pequeno ser chegou, pelo sorriso que sem muito esforço, deixou escapar.
Aquele
segredo, a mim confidenciado, serviu de inspiração para expressar o que guardo
comigo. O quê? Quando? Não sei!
A
única coisa que sei é que o tempo certo guarda as coisas certas, assim como aquela
criança ainda guarda para si, o que viu além das nuvens.
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