sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Concerto





 

maestrina: Mulher que dirige orquestra ou compõe música.

Ao chegar, entrego um pequeno papel, que parecia valioso, àquele homem alto, sem sorriso no rosto e de fone no ouvido, tomo meu assento, abrem-se as cortinas, e naqueles segundos, começo a perceber que sou a maestrina, diante de uma grande platéia e apta a estar à frente do espaço compreendido entre a cena e o público.
Tudo que eu queria era o que na realidade eu não esperava (como se eu esperasse algo bom), sabendo que, a mutabilidade podia me atingir de alguma forma, o que sem perceber, estaria acontecendo.
Daí saber que o problema não tinha uma lógica, pois se assim fosse, já teria resolvido-o, notei que a batuta que os moviam, era a mesma que me estacionava num lugar distante daquele teatro, em que exercia o papel de ser humano, e me levara ao mundo variável das estranhas incertezas certeiras. Viajar, sem tirar os pés do chão, sem parar de subir e descer as minhas mãos... Sim, naquela noite administrava a mais bela filarmónica da vida, onde hipoteticamente se desconheciam as notas, a melodia e O instrumento. Eu sabia que, naquele instante o melhor era fechar os olhos, sentir, e não olhar para a grande platéia atrás, que me observava e se já se manifestara para aprovação.
Enfim, não desistir, afinal tudo acontecera através do leve movimento das minhas mãos. Lá estava aquele simples “tic” da batuta estranhamente descobrindo o seu poder; lembranças de um tempo que nem sequer havia passado e um memorial com notas, especialmente e, mormente futurista.
Nada poderia imiscuir-se numa sinfonia harmoniosa e errada, todos a sentiam por igual, entendiam que apesar de tudo, era a vida.
E ali, apenas dois corpos, vivendo numa dimensão certa, absolutamente: "O ser e o promover".

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